O homem que apanhava flores

Um homem, enquanto apanhava flores, provocou uma grande guerra. Porém, enquanto os exércitos organizavam fileiras, o homem tentava explicar: eu só apanhava flores. Entretanto, chegou um prospector imobiliário e perguntou: quem andava a apanhar flores no meu terreno? E o homem, que apanhava flores, levantou o braço com a serenidade de uma criança. Acresce que…

O homem que se dedicava a ser despedido

Ganhara tanto dinheiro com os seus próprios despedimentos que passou a dedicar-se a tempo inteiro a ser despedido. Sim, era um trabalho rentável. E sempre que o chamavam para uma entrevista de emprego, o despedimento era o que mais real e concreto tinha na sua mente. Claro que este era um assunto que guardava só…

Residência Artística | Raiz

A residência Raiz da qual participei como autor decorreu em Évora, na vila dos Canaviais, durante a qual se semeou o próximo projeto artístico da Associação Artistica Malvada e se definiram dispositivos e processos para a criação de uma Escrita Epistolar, uma Exposição e um Espetáculo, que se realizarão no âmbito do projeto de cruzamento…

Três objectivos de um escritor

Confesso-vos que o meu primeiro objectivo como escritor foi melhorar o meu tipo de letra, e essa secreta intenção de imitar uma escritora famosa cujo tipo de letra invejava. Em parte, alcancei-o sem nunca me libertar, desde logo, de um ligeiro traço de infância na minha escrita, uma irregular tendência para a loucura, um canhestro…

Duas mãos para amparar a queda

Enquanto tento obedecer ao persistente som de uma tecnologia que analisa o meu ciclo do sono, duas tempestades formam-se no pacifico deixando mais de 10.000 pessoas desalojadas. Uma mulher, depois de ser despedida, sobe ao topo do Mont Ventoux só com uma perna. Num país longínquo, um político imagina um muro alto que fere e…

O Homem Que Vendia Revoluções

Às cinco horas e trinta e oito minutos de uma sexta-feira de setembro, um homem entra numa mercearia de bens essenciais para fazer uma compra rotineira. Ao aproximar-se do balcão, o merceeiro, dono do estabelecimento, informa-o num tom aparentemente sáfio: Só vendemos revoluções. O homem, sem hesitar, responde que precisa com urgência de meia dúzia…

Poetas de Dois Mundos – Nova temporada

A nova temporada do Poetas de Dois Mundos, da Livraria da Travessa no Rio de Janeiro, estreiou no último sábado com o apoio das Edições Macondo. Leituras de Cláudia R. Sampaio, Inês Francisco Jacob, Patrícia Lino e Tiago Alves Costa. Mediação de Leonardo Marona.

World Anthology of Border Poetry: Blurred Political (Canadá)

Acaba de sair a “World Anthology of Border Poetry: Blurred Political (Canadá)” que inclui uma tradução inglesa de um poema da minha autoria. O poema intitula-se “É a noite doutor, é a noite que dói” e faz parte do livro “Mecanismo de Emergência”. A antologia inclui 30 poetas de diversos países e está associada à…

Escrever o cansaço incansável: Žižek Vai ao Ginásio | por Carla Carbatti

Como escrever quando as palavras, o pensamento, o silêncio, as mãos estão cansadas? O que escrever com as palavras, o pensamento, o silêncio e as mãos cansadas? Cansaço, eis um conceito, ou melhor, um percepto (o pensar mediante percepções e sensações próprio das artes, segundo Deleuze e Guattari) incontornável para acompanhar ao Žižek Vai ao Ginásio de Tiago Alves…