[2026] “Deus Ainda Usa o Windows 10” The Poets and Dragons Society

“Quando li Deus ainda usa Windows 10, de Tiago Alves Costa, pensei que o hoje merecia um livro de poemas como o dele. Em torno do homem crente que é um ser divino, tendo à mão sua parafernália de instrumentos eletrônicos, buscando “criar” um universo a seu modo e jeito. Um ser ex machina, pronto a encerrar a cena do nosso último espetáculo. E logo me veio à cabeça compará-lo a um longo poema de nossa mesma língua, de Carlos Drummond de Andrade. O do “homem partido”, escrito na travessia penosa do século que se foi. Porque, face a face, os dois textos refletem, como num espelho de dupla face, esses dois tempos do homem. No de Drummond, o poeta a declinar de toda responsabilidade na marcha do mundo capitalista e a comprometer-se com sua destruição. No de Tiago, a consciênciadessa improvável pretensão, mas guardando a certeza de que o poeta sempre terá o poder corrosivo e desconcertante da palavra. Como a água na pedra, como o riso na escada.”
– Everardo Norões
“Depois de Žižek Vai ao Ginásio, livro onde Tiago Alves Costa já cruzava crítica social, pensamento contemporâneo, corpo e ironia filosófica, Deus Ainda Usa o Windows 10 confirma a coerência e a força de uma obra cada vez mais reconhecível no panorama da poesia contemporânea em língua portuguesa. O autor regressa aqui a alguns dos seus temas centrais, o desgaste do sujeito moderno, a precariedade, a automatização da vida, o colapso discreto das promessas colectivas, mas fá-lo com uma maturidade formal e conceptual que transforma o livro numa peça decisiva do seu percurso”.
– Miguel Antunes de Almeida
“Deus ainda usa o Windows 10, inscribe su escritura en una tradición poética que trabaja desde la ruptura, la ironía y la desacralización, pero cuya fuerza no reside únicamente en el gesto antipoético. Hay en este libro una música propia, una respiración quebrada y luminosa, capaz de convertir la precariedad, el cansancio y la vida administrativa del presente en materia poética singular. En diálogo con Walter Benjamin, la modernidad aparece aquí como un paisaje de restos, señales contradictorias y promesas averiadas. La tecnología surge como síntoma de época, como paisaje de fondo y como vocabulario de una intemperie contemporánea, pero el verdadero centro del libro está en otra parte: en el cuerpo que cae y vuelve a levantarse, en la infancia que persiste y en la ternura que todavía encuentra refugio entre las ruinas del presente.
La fórmula «NÃO ÉS LIVRE / ÉS GRÁTIS» condensa una de las intuiciones más poderosas del libro, aunque no lo agota. Tiago Alves Costa escribe desde un territorio donde la sátira convive con la belleza, donde el humor no cancela la herida y donde la poesía intenta rescatar una forma de humanidad entre formularios, ascensores averiados, guerras menores, flores, hambre y deseo. Su singularidad nace precisamente de esa mezcla: una lengua arraigada en lo cotidiano que, de pronto, se eleva; una imaginación crítica que no renuncia a la emoción; una antipoesía atravesada por una inesperada necesidad de canto.”
– Canal “La ventana de Borges”
[2023] “A Boca no Ouvido Alguém” Através Editora

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[2021] Žižek Vai ao Ginásio Macondo Editora (Edição Brasileira)


[2019] Žižek Vai ao Ginásio Através Editora (Associação Galega da Língua)

“A cabeça avança e a linha da escrita também. Uma energia subtilmente projectada que espanta e estremece. Textos cujas distintas vozes nos conduzem numa experiência pura como se não quisessem perder o pé de uma vertigem anunciada. A linha da escrita num instante que não permite a previsão certeira do próximo passo a dar: a imprevisibilidade, e nela o mundo que se uniformiza. Neste livro, isso mesmo: a intensidade, o ritmo e o movimento como sólidos pilares de uma lucidez poética.”
– Gonçalo M. Tavares
“O escárnio, a dessacralização da poesia e do poeta, o ridículo das situações da vida literária, a necessidade de o poeta trabalhar em algo dito útil, fabril e que lhe renda dinheiro são as molas mestras da poesia de Tiago. A constante tentativa de o poeta mostrar-se como um ser humano mais do que normal, pagador de contas, às vezes desempregado, sem entender a razão de escrever ou de ser colocado numa posição superior aos demais humanos, transforma a poesia de Tiago não apenas como uma Declaração dos Nenhuns Direitos do Poeta, emanada quem sabe por uma Desorganização Mundial dos Poetas sem utilidade pública, como também um grito de socorro ao mostrar a precariedade, contradição, incongruência, dualidade e ambiguidade da condição desumana do estar num mundo prático. É uma poesia densa, multifacetada, demolidora e que ao mesmo tempo reconstrói nossa fé no ato de protestar, imolar-se, desconstruir para reafirmar a permanência do humano entre tantos atos que nos tentam eliminar da república dos homens.“
– Ronaldo Costa Fernandes
[2016] Mecanismo de Emergência
Através Editora (Associação Galega da Língua)


[2012] w.c constrangido Grupo Criador Editora


[O que fai o noso Tiago é inventar novos poemas do eterno humano, historias animadas que sendo súas, viven, non obstante, por si mesmas. Non é posible pensar fóra do tempo, porque a vida, fóra del, non é absolutamente nada. O poeta revélanos o verdadeiro significado das palabras, a súa esencia, é un auténtico “rescate ético” o que se nos ofrece, en oposición ao rescate financeiro que non trae máis ca ruína intelectual e afundimento moral. Vemos nos poemas o esqueleto do poder, a súa aparente fortaleza, que non é máis ca produto da nosa desidia e parálise. Estamos tan afeitos a deixarnos enganar polo PODER e polos pequenos poderes que nos adormecen, que cómpre ter moita coraxe e lucidez para facer algo tan sinxelo, aparentemente, como recuperar o valor e o sentido que as palabras teñen de seu (…)]
Trecho do prefácio de Manuel Eiroa.
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